28.8.08



eu sou um gentleman, eu sou o 007, diante dos maiores vilões perversos eu me mantenho calmo e bem-humorado, mantenho o sarcasmo inteligente e depois saio voando ao som da música. eu sou um gentil homme, não me irrito com nada, sento e medito, acho que não vale a pena e abro um livro.
o que está acontecendo comigo?
será a idade?

alguém roubou o meu irritar, eu flutuo desmanchando os nós como quem gosta.
será que o simples fato de tirar 20 minutos todos os dias para fechar os olhos e respirar fundo provocou todas essas mudanças?
sim...
aprendi, finalmente, a meditar. eu já o fazia, mas não atingia plenamente o estado inerte. esses últimos dias foram recheados de situações em que, em tempos outros, eu ficaria muito tensa. mas não... eu não estou tensa. eu estou calma, muito calma. estou dormindo bem, comendo bem, trabalhando bem. tomei decisões e informei aos outros sem o menor medo.

mãe, pai, vou largar tudo. TUDO. vou começar do zero. é difícil, é péssimo, é uma loucura abandonar tudo no 7o período, mas é isso. vou largar porque não gosto, não me realiza. vou atrás do que eu quero, do que eu sempre quis mas não me achava capaz.






foi rápido como remover um esparadrapo cobrindo um machucado.
quando tirei, vi que a marca do corte foi muito pequena e não é mais ferida aberta.
pronto.

LARGUEI.

26.8.08

ugly people

Freud deve explicar meu fascínio pela feiúra.
desde pequena guardo o bizarro na mesa de cabeceira, imortal em seu estado de graça.
ninguém me demoveu dessa paixão, ninguém me provou que havia algo mais interessante.
até por
ele foi amor à primeira vista. os olhos de cachorro apagaram todos os olhos azuis do resto do mundo.


freaks do body-modification (já bem conhecidos)












Mas meu preferido é o esqueleto. Se meu namorado virasse amanhã e dissesse que faria igual, eu daria a maior força.

16.8.08

seres que dormem


de manhã

ele não acorda de jeito nenhum! está na minha cama e não acorda. ele ignorou minha mão gelada nas costas dele e virou de barriga pra cima. não acordou. ele se inclinou pra frente e quase encostou a boca na minha. até nos braços de morfeu ele me provoca. 

e se eu ignorar o estado ausente do ser? seria eu necrófila?

11.8.08

Por que sempre pinto meu fundo de preto?

6.8.08

todo mundo precisa de um advogado.

I N S Ô N I A S ^O N I A S Ô NI A...

finalmente estou lendo "medo e delírio em las vegas", do Hunter Thompson. sabe aqueles livros que você quer ler mas vai empurrando com a barriga? tem um ano que eu saio pra comprar, vou na livraria, vejo um outro livro que me puxa pra outro livro que puxa o outro e eu esqueço a compra inicial. minha memória é infalível pra certas coisas e moribunda para outras. pra isso eu tenho minha agenda com as milhões de mini-listas que, exageros à parte, são o pilar da minha sobrevivência. mas outro dia eu falo disso.
**ah, desde domingo não encontro a agenda, ou seja, dá pra imaginar o quanto essa semana foi organizada. 


comprei o livro pela internet (fiz até a propaganda do site aqui embaixo). aliás, afirmo aqui que o esquema é realmente de confiança. encomendei uns 10 livros e chegaram todos, em ótimo estado, até os usados. não confio nessas coisas de digitar o número do cartão de crédito em sites, mas o esquema deles é de depósito em banco. ou seja, não tem como dar merda com o seu dinheiro. 

essa edição de "medo e delírio" é nova, de 2007 acho. ao receber o livro, para minha surpresa, vi que ele foi ilustrado pelo Ralph Steadman, que é um artista FODA. os desenhos dele são F-O-D-A. dei de presente ano passado um livro dele sobre Freud para um futuro psicanalista e acho que gostei mais do que o próprio. 



 




não ando muito inspirada esses dias...tenho feito uns trabalhos meio porcos, não estou com nenhuma energia pra lidar com clientes. tive um reunião na terça que mastigou meus miolos. fico com curiosidade pra ver o processo de criação de outras pessoas... será que o RS faz esse desenho em cinco minutos? fica horas concebendo? faz um monte de rascunhos?
sei lá. eu no momento pego o "medo e delírio em las vegas".

2.8.08

quando comecei a pensar mais nos meus atos e nas conseqüências deles, fico numa gangorra entre não ser igual ao meu pai nem ser igual a minha mãe. Mesmo que você lute, como eu, eles vão ser sempre o seu modelo de casal e de maternidade - se você viver com eles, claro. Todos tem queixas contra esse modelo. Eu tenho muitas queixas contra o meu modelo. Estou cada vez mais velha e com mais queixas. Estou me conhecendo cada vez melhor e identificando coisas a princípio bobas para os meus pais e que tiveram um reflexo catastrófico em mim. Algumas são óbvias, mas nenhum dos dois tem de fato noção de como elas formaram meu caráter. Por exemplo, o alcoolismo do meu pai. Nem eu mesma tinha noção de que isso geraria um transtorno afetivo tão escroto e que me faria sofrer tanto. A obsessão por controle da minha mãe, que não tolera que as coisas não sejam feitas da maneira dela, o que causa brigas desnecessárias quase todos os dias com todos os membros da casa. E isso é o superficial da coisa, até porque mesmo que ninguém venha aqui praticamente, isso é coisa pra se tratar na análise. Meu ponto é, antes de me importar com os meus atos, eu segui exatamente o modelo e virei uma pirralha pseudo alcoólatra intolerante sem nenhum amor por si mesma. Meus pais nunca se questionaram se o modelo deles contribuiu para a maioria das coisas que eles criticam da filha. Enquanto isso, eu luto desesperadamente e todos os dias para jamais me igualar aos dois. A vida que tracei pra mim é muito longe e diferente. Ao mesmo tempo que esse auto-conhecimento me deixa feliz, me deprime, porque eu tenho só 20 anos e ainda vai demorar para que tenha minha própria família. Enquanto isso, eu olho pro lado e não acredito no que estou vendo. Amo meus pais, mas prefiro ficar longe deles, pois somos pessoas muito diferentes. Pelas condições da minha casa, aprendi a ser mais compreensiva do que deveria. Eu vejo coisas absurdas e erradas e tenho que compreendê-las. E fazer os outros compreenderem. Não brigarem, não se irritarem. Desde os 6 anos faço esse papel. Estou cansada, exausta.

Aprendi a não brigar, a ser amada de verdade e a amar, confiar. Aprendi a me entregar profundamente e a sofrer as conseqüências disso. Aprendi a fazer carinho, é escroto, mas eu não sabia. Aprendi a dormir junto, grudado. Tem muita coisa que ainda não sei, mas que estou aprendendo. Coisas que nunca vi no meu modelo. Não vou ser ingrata e cuspir em cima dele, mas tenho convicção de que vou fazer muita coisa diferente. E é capaz eu também cause alguns traumas, é normal. Se isso acontecer, que os frutos desse modelo tenham alguém tão importante como eu tenho pra ensinar a mudança. Você sempre pode ser diferente e fazer diferente.

1.8.08

Droga, não consigo fazer os folders. Há 3 dias trago para o trabalho vários livros que deformam minha bolsa azul-escuro e deixo os folders de lado. Trabalhar com criação é dolorido pra cacete. Fico espremendo meu cérebro em busca de alguma solução visual que agrade ao cliente. Clientes são maléficos. Pisam em cima do que você fez como se fosse merda. A merda espirra no meu olho e eu fico com raiva, mas tenho que fazer tudo de novo e de novo e de novo e de novo incessantemente até obter aprovação. Enquanto isso eu espremo meu cérebro que nem uma camiseta molhada, tentando extrair até a última gota de alguma coisa. Qualquer coisa. Porque ainda há o temido gosto pessoal. O gosto pessoal é provavelmente a maior forma de assassinato no mundo.

Eu mostro o que fiz, estou convicta de que foi um ótimo trabalho. Pesquisei muito, estudei, explorei milhões de formas, meus olhos tiveram uma overdose de imagens e... espirrou merda no meu olho. O cliente tem sempre razão. Não posso assassiná-lo porque preciso do dinheiro dele. Será que as prostitutas pensam isso enquanto estão na cama com um homem nojento e repulsivo?

Esse pensamento me leva até a Bruna Surfistinha. Eu já li o blog da Bruna Surfistinha algumas vezes. Ela descrevia os programas de modo tão ausente e indiferente que o blog parecia um cadastro. Ela era tipo uma contadora.
As prostitutas são muito anteriores aos contadores. Na Grécia antiga e no Egito, as prostitutas eram sacerdotisas, recebiam presentes em troca de favores sexuais. E as heteras, que freqüentavam os salões de discussão entre os intelectuais da época? Elas eram ricas, bonitas e inteligentes. Quando minha tia morou em Roma, fui visitá-la e ela me levou numa cidade chamada Pompéia. Lá, ainda dava pra ver nas paredes de pedra o símbolo do falo, indicando casas de prostituição.
Os judeus e católicos a gente já sabe o que pensam das prostitutas.

Eu pessoalmente me simpatizo com elas. Tenho uma amiga muito querida inclusive que é prostituta de luxo, ou melhor, bonequinha de luxo seria mais adequado para ela. Linda e educada. Ela viaja o mundo inteiro, e apesar de se considerar muito sozinha, sempre diz para mim que é feliz com o que escolheu. Ela é a hetera do ano 2000 que fala 4 idiomas. Há um tempo atrás, fui a uma boate muito conhecida aqui no Rio de Janeiro chamada Help, que periga fechar inclusive, onde o público é quase 100% de prostitutas. Há muito mais prostitutas inclusive do que clientes em potencial. Foi uma das noites em que mais me diverti na minha vida. Conheci várias garotas, ouvi histórias, dancei muito e me senti muito à vontade, porque em hipótese alguma você vai ser abordada por um homem lá dentro. As meninas é que mandam. Se elas não te olham, é melhor nem chegar perto. Já combinei de levar algumas amigas lá no sábado, tenho certeza que elas vão ficar surpresas. Infelizmente, apesar de estar em 2008, o preconceito está mais enraizado na nossa cabeça do que pensamos. Na minha, na sua, na de todo mundo.


Ok, de volta aos folders...