Aprendi a não brigar, a ser amada de verdade e a amar, confiar. Aprendi a me entregar profundamente e a sofrer as conseqüências disso. Aprendi a fazer carinho, é escroto, mas eu não sabia. Aprendi a dormir junto, grudado. Tem muita coisa que ainda não sei, mas que estou aprendendo. Coisas que nunca vi no meu modelo. Não vou ser ingrata e cuspir em cima dele, mas tenho convicção de que vou fazer muita coisa diferente. E é capaz eu também cause alguns traumas, é normal. Se isso acontecer, que os frutos desse modelo tenham alguém tão importante como eu tenho pra ensinar a mudança. Você sempre pode ser diferente e fazer diferente.
2.8.08
quando comecei a pensar mais nos meus atos e nas conseqüências deles, fico numa gangorra entre não ser igual ao meu pai nem ser igual a minha mãe. Mesmo que você lute, como eu, eles vão ser sempre o seu modelo de casal e de maternidade - se você viver com eles, claro. Todos tem queixas contra esse modelo. Eu tenho muitas queixas contra o meu modelo. Estou cada vez mais velha e com mais queixas. Estou me conhecendo cada vez melhor e identificando coisas a princípio bobas para os meus pais e que tiveram um reflexo catastrófico em mim. Algumas são óbvias, mas nenhum dos dois tem de fato noção de como elas formaram meu caráter. Por exemplo, o alcoolismo do meu pai. Nem eu mesma tinha noção de que isso geraria um transtorno afetivo tão escroto e que me faria sofrer tanto. A obsessão por controle da minha mãe, que não tolera que as coisas não sejam feitas da maneira dela, o que causa brigas desnecessárias quase todos os dias com todos os membros da casa. E isso é o superficial da coisa, até porque mesmo que ninguém venha aqui praticamente, isso é coisa pra se tratar na análise. Meu ponto é, antes de me importar com os meus atos, eu segui exatamente o modelo e virei uma pirralha pseudo alcoólatra intolerante sem nenhum amor por si mesma. Meus pais nunca se questionaram se o modelo deles contribuiu para a maioria das coisas que eles criticam da filha. Enquanto isso, eu luto desesperadamente e todos os dias para jamais me igualar aos dois. A vida que tracei pra mim é muito longe e diferente. Ao mesmo tempo que esse auto-conhecimento me deixa feliz, me deprime, porque eu tenho só 20 anos e ainda vai demorar para que tenha minha própria família. Enquanto isso, eu olho pro lado e não acredito no que estou vendo. Amo meus pais, mas prefiro ficar longe deles, pois somos pessoas muito diferentes. Pelas condições da minha casa, aprendi a ser mais compreensiva do que deveria. Eu vejo coisas absurdas e erradas e tenho que compreendê-las. E fazer os outros compreenderem. Não brigarem, não se irritarem. Desde os 6 anos faço esse papel. Estou cansada, exausta.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

5 comentários:
essa descrição é quase que a minha vida e relação com os meus pais. e é difícil, por mais que você tente desfazer o espelho, ele ainda continua a refletir com mais intensidade, e eu odeio isso.mas ainda bem que há ainda as opções, não as mais simples talvez, mas as mais cabíveis a nós.
sobre bananas?
não.
Embora eu ache a banana uma pseudobaga muito interessante.
É bom que tenha matérias sobre ela em veículos importantes.
depois que descobri(na terapia)que eu poderia repetir toda aquela estória de vida dos meus pais pelo simples fato de ser "fruto do meio", surtei e ansiava gritar isso dentro da minha casa. também me sentia cansada. cansada de absorver, de vê-los cegos e de lutar constantemente contra os meus atos tão naturais quanto parecidos...
hoje, vi que a melhor coisa é abstrair sobre a maneira como agiram/agem e focar em mim, sem querer discutir (mesmo com 23 anos e possibilidades remotas de alcançar a minha própria casa). afinal, não posso invadir o espaço de ninguém para jogar as "minhas verdades", além de ser um belo desgaste. é incrível como eles passaram a admirar algumas das minhas atitudes, talvez, pelo simples fato de serem completamente diferentes das deles. e eles sequer sabem.
olá =)
que engraçado, acompanhei você entrando na faculdade (quando eu estava saindo), seus comentários no fotolog (não tenho mais o meu), e sempre me identifiquei muito com eles. Apesar de ser mais velha que você, sempre achei suas questões com design bem parecidas com as minhas, e o último post mostraram que são realmente parecidas. Esse post sobre os pais então, nem se fala. Não serve muito de consolo, mas já moro sozinha há anos e a falta de capacidade dos meus pais de se entenderem continua me afetando, com uma grande vantagem: não os vejo todos os dias mais.
Enfim.. você não me conhece, mas gostei muito dos seus textos. Meu blog só tem besteiras que gosto, fiz ele justamente para desestressar. Continue escrevendo, me parece ser uma coisa que te faz bem.
bjs
Então, é que eu tenho um estudio de design aqui no Brasil e dois clientes na Europa (um sul da França e outro em Portugal). Desta vez fui para encontrá-los e também pra fazer um curso de francês. Se quiser ver as fotos: www.flickr.com/berilis
No menu lateral tem a divisão por países.
Sabe que lendo seu blog fiquei com vontade de fazer um também. Sempre gostei de escrever mas agora com tantos folders pra fazer acabei desenvolvendo só a linguagem comercial. Sinto falta de meter a boca em tudo e falar sobre mim... rs
Vc escreve muito bem, toda vez que leio seu blog aprendo alguma coisa, me identifico bem com sua estrutura familiar tb. :P
Postar um comentário