1.8.08

Droga, não consigo fazer os folders. Há 3 dias trago para o trabalho vários livros que deformam minha bolsa azul-escuro e deixo os folders de lado. Trabalhar com criação é dolorido pra cacete. Fico espremendo meu cérebro em busca de alguma solução visual que agrade ao cliente. Clientes são maléficos. Pisam em cima do que você fez como se fosse merda. A merda espirra no meu olho e eu fico com raiva, mas tenho que fazer tudo de novo e de novo e de novo e de novo incessantemente até obter aprovação. Enquanto isso eu espremo meu cérebro que nem uma camiseta molhada, tentando extrair até a última gota de alguma coisa. Qualquer coisa. Porque ainda há o temido gosto pessoal. O gosto pessoal é provavelmente a maior forma de assassinato no mundo.

Eu mostro o que fiz, estou convicta de que foi um ótimo trabalho. Pesquisei muito, estudei, explorei milhões de formas, meus olhos tiveram uma overdose de imagens e... espirrou merda no meu olho. O cliente tem sempre razão. Não posso assassiná-lo porque preciso do dinheiro dele. Será que as prostitutas pensam isso enquanto estão na cama com um homem nojento e repulsivo?

Esse pensamento me leva até a Bruna Surfistinha. Eu já li o blog da Bruna Surfistinha algumas vezes. Ela descrevia os programas de modo tão ausente e indiferente que o blog parecia um cadastro. Ela era tipo uma contadora.
As prostitutas são muito anteriores aos contadores. Na Grécia antiga e no Egito, as prostitutas eram sacerdotisas, recebiam presentes em troca de favores sexuais. E as heteras, que freqüentavam os salões de discussão entre os intelectuais da época? Elas eram ricas, bonitas e inteligentes. Quando minha tia morou em Roma, fui visitá-la e ela me levou numa cidade chamada Pompéia. Lá, ainda dava pra ver nas paredes de pedra o símbolo do falo, indicando casas de prostituição.
Os judeus e católicos a gente já sabe o que pensam das prostitutas.

Eu pessoalmente me simpatizo com elas. Tenho uma amiga muito querida inclusive que é prostituta de luxo, ou melhor, bonequinha de luxo seria mais adequado para ela. Linda e educada. Ela viaja o mundo inteiro, e apesar de se considerar muito sozinha, sempre diz para mim que é feliz com o que escolheu. Ela é a hetera do ano 2000 que fala 4 idiomas. Há um tempo atrás, fui a uma boate muito conhecida aqui no Rio de Janeiro chamada Help, que periga fechar inclusive, onde o público é quase 100% de prostitutas. Há muito mais prostitutas inclusive do que clientes em potencial. Foi uma das noites em que mais me diverti na minha vida. Conheci várias garotas, ouvi histórias, dancei muito e me senti muito à vontade, porque em hipótese alguma você vai ser abordada por um homem lá dentro. As meninas é que mandam. Se elas não te olham, é melhor nem chegar perto. Já combinei de levar algumas amigas lá no sábado, tenho certeza que elas vão ficar surpresas. Infelizmente, apesar de estar em 2008, o preconceito está mais enraizado na nossa cabeça do que pensamos. Na minha, na sua, na de todo mundo.


Ok, de volta aos folders...

2 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

clientes são um mal necessário.

sendo você designer ou ahnm...puta.

no meu caso,

prefiro ser mercenário.

ou ninja.

mesmo criando folders.